CAPI

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  • O exército português também mobilizou pessoal para guarnecer um Corpo de Artilharia Pesada Independente (CAPI) a pedido da França, para ser utilizado sob o comando da artilharia pesada francesa sobre caminhos de ferro.

    Os militares portugueses que constituíram o CAPI foram mobilizados pelas unidades do Campo Entrincheirado de Lisboa, onde estavam os artilheiros com experiência de artilharia pesada.

    O primeiro contingente embarcou para França em outubro de 1917 e o CAPI foi organizado formalmente em 4 de Novembro de 1917 com 3 Grupos e uma Bateria de Depósito, com um quadro orgânico que exigia 1632 homens (63 oficiais, 125 sargentos e 1444 praças) que iriam guarnecer baterias de peças de calibres 32 cm, de 24 cm e de 19 cm, antigo material de artilharia de Costa francês que foi instalado em vagões de caminhos de ferro.

    Apenas um Grupo do CAPI permaneceu na sua missão original sob o comando da artilharia pesada francesa, tendo realizado algumas missões de tiro em 1918.



  • Uma das principais inovações da 1ª grande guerra foi o elevado alcance das peças de artilharia, cujo extraordinário poder começou a ser demonstrado em 1915 com os bombardeamentos feitos pela artilharia pesada alemã, sobre Compiége e Dunkerque e em 1916 sobre Nancy, com uma peça de 38 cm (com um tubo com 50 calibres de comprimento) disparando a mais de 30 km.

    Todos os exércitos começaram a desenvolver sistemas de artilharia pesada de grande alcance, adaptando peças de artilharia Naval e de Costa para o combate em terra.

    No final do ano de 1916 ( 26 Dezembro 1916) o governo francês solicitou a Portugal o envio de pessoal de artilharia para guarnecer 15 a 20 baterias de artilharia pesada e através da convenção assinada em 17 de Maio de 1917 pelos ministros da guerra de França e de Portugal, foi criado o Corpo de Artilharia Pesada Independente (CAPI) cuja designação francesa era CALP (Corps d´Artillerie Lourde Portugais).

 
  • As peças de grande calibre vinham da artilharia de costa e naval francesa e a doutrina da época considerava que esta artilharia em caminho de ferro, era vocacionada para bater localidades, gares importantes, nós de comunicações, pontes e vias de reabastecimento, parques e bivaques, artilharia em posições protegidas/fortificadas, bases de aviação e de balões cativos. Era destacada a sua mobilidade e o efeito moral que produziam pela possibilidade de concentrar uma grande massa de fogos.

    Foi em março de 1918 que os alemães bombardearam pela primeira vez a cidade de Paris com 3 peças de artilharia pesada localizada a cerca de 120 km, causando grande surpresa aos especialistas militares aliados. Estes bombardeamentos decorreram com uma regularidade quase diária até 23 de abril e após um mês de interrupção recomeçaram a 27 de maio e decorreram até 14 de julho, quando a ofensiva de Foch fez calar a artilharia alemã que tinha mostrado o maior alcance até então conseguido.

 
  • Mapa CAPI
  • Em Maio de 1917 partiram para França 18 oficiais e 10 sargentos artilheiros que começaram por visitar os campos de instrução de Mailly e em Chalons-Bouy onde viram pela primeira vez um Grupo de gigantescas peças de 32 cm sobre caminho de ferro, fazer fogo sobre os alemães, com alcances na ordem dos 18.300 m. Foi com 4 peças deste calibre 32 cm, que os portugueses começaram a receber formação em Bailleul entre 1 de junho e 16 de julho, onde receberam instrução sobre as peças, os métodos de observação com apoio de aeronaves, cálculo de tiro, meios de comunicação com os meios aéreos, manobras em caminhos de ferro etc;

    A base portuguesa do CAPI foi criada em Bailleul onde ali e em Beauvais, foram recebidos em 17 de outubro de 1917 os 20 oficiais, 44 sargentos e 714 praças que vieram de Portugal para guarnecer o CAPI. Em novembro todo o pessoal português foi aquartelado em Bailleul onde foram recebidas 12 peças ( 4 peças de 32 cm e 8 peças de 19 cm) destinadas ao 1º Grupo português e em 24 de novembro o CAPI foi visitado pelo chefe do governo português e pelo ministro dos negócios estrangeiros.

 
  • CAPI Peca 190
  • A 1ª bateria de portugueses foi empenhada na frente do Aisne em março de 1918 (usando a peça 320 mm) e a 2ª e 3ª baterias atuaram na região de Champagne, (usando a peça 190 mm) em maio, na frente guarnecida pelo IV Exército francês. A peça 320 mm que os portugueses operaram tinha um alcance de 20.400 m e disparava uma granada com o peso de 400 Kg. A 16 de março de 1918 a 1ª bateria, (com peças 32 cm) ocupou a posição nº 756 no ramal de caminho de ferro de Soupir a Chemin des Dames, a sul de Soupir, de onde fez fogo sobre umas baterias alemãs localizadas a sul de Aizelles (a norte de Craonne) com um alcance de 17.700 metros. Os tiros foram realizados com observação de avião e terrestre, entre as 13h15m e as 19h15m. Foram disparadas 60 granadas (cada uma com um peso de cerca de 387 Kg e com 36, 5 Kg de carga explosiva).

 
  • Fogo Pea 320 Mm CAPI
  • A 2ª e a 3ª bateria, com peças de 19 cm foram empenhadas numa operação em 18 de Maio de 1918. Fizeram fogo das posições nº 162 e 168 na rede de Hurlus contra posições (trabalhos alemães) trincheiras e observatórios a acerca de 9800 m de distância, com observação terrestre. A 2ª bateria fez 58 tiros, entre as 13h30 e as 17h00 e a 3ª bateria fez 124 tiros entre as 13h00 e as 16h00.

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Comissão Coordenadora da Evocação do Centenário da Grande Guerra

 
 
Imagens: Arquivo Histórico Militar (fundo AHM-FE- CAVE-AG)
Fotos de equipamentos Núcleo Museológico das OGFE e do Museu Militar.
 
Textos: O CEP: Os Militares Sacrificados Pela Má Politica, Fronteira do Caos, 2016. A Nossa Artilharia na Grande Guerra (1914-1918), Caleidoscópio,2017.
 
Autores: Coordenação de Pedro Marquês de Sousa. Apoio na preparação de artigos militares OGFE e Fotos: Jorge Baltazar Pinto e André Fernandes.

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