Portugueses na ofensiva final

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  • As unidades portuguesas que participaram na fase final da “ofensiva dos 100 dias” em outubro e novembro de 1918, estavam integradas no XI Corpo de Exército britânico, e estiveram atribuidas à 47.ª Divisão, à 57.ª Divisão e à 59.ª Divisão. A 57.ª Divisão britânica participou na conquista da cidade de Lille (17 de outubro) integrada na ofensiva de Artois, entre 15 de outubro e 1 de novembro, após o que ficou em descanso em Lille, sendo substituida na frente de ataque pela 47.ª Divisão que avançou desde Lille (França) para a Bélgica, tal como a 59ª Divisão britânica, ambas na vanguarda do XI Corpo de Exército britânico.

Assim nos últimos dias da guerra, entre 1 e 11 de novembro de 1918, estavam em operações as seguintes unidades portuguesas integradas nas forças britânicas da 59ª Divisão, 47ª Divisão e na artilharia do Exército britânico:
- 4.º Batalhão de Infantaria (BI 23) na 140ª Brigada da 47ª Divisão;
- Duas companhias do 5.º Batalhão (do BI 35) na 142ª Brigada britânica da 47ª Divisão;
- 4.º Grupo de Baterias de Artilharia (reforçado com a 4.ª Bateria do extinto 6.º GBA) na 47ª Divisão britãnica;
- 3.º Grupo de Baterias de Artilharia na 59ª Divisão britânica;
- Seis baterias de artilharia a Pé (artilheiros do extinto CAP, integrados em baterias pesadas britânicas);
- Secção Automóvel de Telegrafistas por Fios;
- Companhia de Projectores.

Portugueses na 47ª Divisão Britânica

A 47ª Divisão tinha a missão de ocupar a margem oeste do rio Escalda a norte de Tournai e as suas 140ª e 141ª Brigadas entraram em ação a 31 de outubro, reforçadas com dois Batalhões portugueses e um Grupo de Artilharia português: os dois Batalhões de Infantaria eram os IV e V Batalhões, (cuja base eram os antigos BI 23 e BI 35 respetivamente) e a unidade de artilharia era o 4º GBA (com 3 baterias de peças e duas de obuses, após ter recebido a 4ª bateria de obuses do 6º GBA).

Na 47ª Divisão os infantes do BI 23 foram integrados na 140ª Brigada e os do 35 foram integrados na 142ª Brigada. No caso do V Batalhão (antigo BI 35 de Coimbra) os seus pelotões foram atribuídos a Batalhões britânicos e alguns avançaram desde Lille até Frasnes e Moustier, tendo sido os infantes portugueses que avançaram mais dentro da Bélgica, ficando a cerca de 60 Km de Bruxelas. Os pelotões do 35 percorreram o seguinte itinerário: Lille – Templeuve - Pont à Chin – Mont St. Aubert - Melles – Quartes – Frasnes-lez-Anvaing – Moustier.

A companhia do BI 23 que mais avançou, chegou a Froyennes a noroeste de Tournai ( 8 de novembro) e no dia 9 de novembro estes infantes de Coimbra também ultrapassaram o rio Escalda, em Tournai, mas não combateram mais para leste. O nosso 4º Grupo de Artilharia (4º GBA de Santarém/Vendas Novas) avançou desde Lille, até à vila de Ascq, depois passou por Estafflers e chegou a Mont Garni (Oeste de Tournai).

infantaria avanco final

Nos últimos dias da guerra, estavam a oeste de Tournai quatro unidades de infantaria (dos BI 14, BI 15, BI 23 e BI 35) sete baterias de artilharia (cinco baterias do 4ª GBA e duas do 3º GBA) uma unidade de Sapadores e outra de Pioneiros, que apoiavam os britânicos na abertura de itinerários e na construção de passagens sobre os rios, que os alemães tinham destruído quando retiraram. Os únicos militares portugueses que avançaram para além o rio Escalda, foram alguns militares do BI 35 e o pessoal do Corpo de Artilharia Pesada (CAP do CEP) que estavam integrados nas quatro baterias pesadas britânicas posicionadas em Leuze, em Pommereul (a oeste de Mons), outra em Bury (a norte de Peruwetz) e outra em Roumilies (a este de Tournai).

  • Como referimos o BI 23 avançou na ofensiva, mas o BI 15 foi atribuído a uma brigada britânica que ficou em descanso na região de Ascq (5 km a leste de Lille). A 7 de novembro a 3.ª Companhia do BI 23 entrou em território belga integrada no 21.º Batalhão britânico ( 140 ª Brigada de Infantaria britânica) em apoio da vanguarda na passagem do rio Escalda. Os nossos militares do 4º Batalhão (baseado no antigo BI 23) estiveram junto dos infantes do 21º Batalhão de Infantaria britânico (47ª Divisão britânica) que era originário de Londres (designado por First Surrey Rifles- 1st Surrey Rifles).

 

passagem rio escalda em combate

  • O 5.º Batalhão (BI 35) atribuido à 142.ª Brigada britânica da 47.ª Divisão, cedeu os seus pelotões aos Batalhões britânicos. Esta organização para o combate não agradou ao General Garcia Rosado (Comandante do CEP) pois a sua ordem era para os Batalhões portugueses (aprox. 500 militares) serem atribuídos a Brigadas britânicas e não ter pequenos escalões portugueses (Pelotões de 60 homens) atribuidos a Batalhões britânicos. Sobre estes pelotões do BI 35 sabemos que progrediram desde Faches (a sul de Lille) até à Bélgica, percorrendo cerca de 60 km, através de Willems, Templeuve, Pont-à-Chin (onde passaram o rio Escalda), Monte de St. Aubert, Melles, Quartes até Frasnes e Moustier, a cerca de 60 km de Bruxelas.

 

Portugueses na 59ª Divisão Britânica

Após a tomada de Lille em outubro, o XI Corpo de Exército britânico avançou para Leste com duas Divisões na vanguarda ( a 47ª e a 59ª Divisões).Na 59.ª Divisão britânica estiveram integradas as seguintes unidades do CEP:

- o 3.º GBA (3.º Grupo de Artilharia), entre 3 de outubro e 15 de novembro de 1918;
- o BI 14, entre 3 de outubro e 2 de novembro de 1918;
- o BI 15, entre 3 de outubro e 15 de novembro de 1918.

O 3.º GBA (Abrantes) progrediu entre 17 e 20 de outubro de Lille para Roubaix, passando pelas localidades de St. André, Marquette, Madeleine, Mous-en-Baroueul, Hem e Sailly-les-Lanois, junto à fronteira belga, o mesmo itinerário que fez também uns dias depois o BI 14 (Viseu). O 3º GBA deslocou-se ente 17 e 20 de outubro, desde Arméntieres até Willems na fronteira com a Bélgica e recebeu ordem para destacar duas baterias para a frente (integradas no 234º Grupo de artilharia britânico em apoio da 59ª Divisão) e deixar duas baterias na reserva divisionária em Sailly. Assim na noite de 24 para 25 de outubro duas baterias avançaram para ocuparem posições a cerca de 3 km do rio Escalda: uma bateria foi ocupar posição em Bailleul e outra ficou a sul de Reminguies-Chin. Estas duas baterias avançadas do 3º GBA ficaram a norte das baterias do 4º GBA, ficando as setes baterias portuguesas ( cinco do 4º GBA e duas do 3º GBA) a noroeste de Tournai, de onde observavam o Monte de Saint Aubert, no outro lado do rio Escalda, ainda ocupado pelos alemães que bombardeavam as nossas posições. Na estação de Nechin, ficaram acantonados alguns militares do 3º GBA e esta posição foi violentamente bombardeada na madrugada do dia 8 de novembro, o último bombardeamento alemão naquela zona, antes dos alemães retirarem para Ath na noite de 10 para 11 de novembro. As baterias do 3º GBA não chegaram a combater no outro lado do rio Escalda mas a sua prestação nesta fase final do conflito foi louvada pelo comandante da artilharia da 59ª Divisão.

 

Os Portugueses no último dia da Guerra

Para lá do rio Escalda estavam infantes do BI 35 e artilheiros portugueses em 4 baterias britânicas. Junto ao rio Escalda (a oeste do rio) e já dentro do território belga estava uma unidade de Pioneiros a sul de Tournai e a noroeste desta cidade ao longo da estrada de ligação de Tournai a Roubaix e da linha férrea para norte, estavam as 7 baterias ligeiras, ( duas do 3.º GBA e cinco do 4.º GBA), perto das quais estavam também 3 companhias de Infantaria, uma companhia de pioneiros, uma bateria de Artilharia pesada e uma Ambulância.

  • Junto à fronteira do lado francês, estavam a sul de Roubaix duas baterias de Artilharia ligeira, uma companhia de sapadores mineiros e uma companhia de Infantaria e a sul desta unidade, na região entre Fretin e Mouchin e Orchiers, estava outra companhia de Infantaria portuguesa, três baterias de Artilharia pesada e a companhia de projetores (junto ao caminho de ferro em Fretin). Na periferia da cidade de Lille estavam 4 companhias de Infantaria, uma unidade de sapadores e outras formações portuguesas: Secção Automóvel de Telegrafistas por Fios; Coluna de Transporte de Feridos, Ambulâncias, Sec. Móvel Veterinária, dois locais de Reabastecimento e uma estação de Etapes (logística).

  • Relativamente aos militares portugueses do extinto Corpo de Artilharia Pesada, destacamos as seguintes 4 baterias cujo pessoal estava ao serviço da artilharia britânica nas seguintes posições avançadas: em Leuze, em Bury (a norte de Peruwelz), em Pommeroeul e em Roumilies (Tournai).

Vídeos

Passagem do Rio Escalda e avanço de Infantaria 35

De Lille ao Monte de St Aubert

Artilheiros portugueses do CAP na ofensiva final

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Comissão Coordenadora da Evocação do Centenário da Grande Guerra

 
 
Imagens: Arquivo Histórico Militar (fundo AHM-FE- CAVE-AG)
Fotos de equipamentos Núcleo Museológico das OGFE e do Museu Militar.
 
Textos: O CEP: Os Militares Sacrificados Pela Má Politica, Fronteira do Caos, 2016. A Nossa Artilharia na Grande Guerra (1914-1918), Caleidoscópio,2017.
 
Autores: Coordenação de Pedro Marquês de Sousa. Apoio na preparação de artigos militares OGFE e Fotos: Jorge Baltazar Pinto e André Fernandes.

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